Síndrome de Choque Tóxico

A síndrome de choque tóxico é uma doença aguda, abrupta que pode levar à falência de vários órgãos.  Foi bastante falada quando a modelo Lauren Wasser contraiu a doença devido a um tampão, quase morreu, teve de amputar uma perna em 2012 e a outra em 2017.3261193546_f3eb918ec6_z

Esta história é capaz de assustar qualquer um, e, levar a pensar que o uso de tampões pode matar. Vamos perceber melhor esta doença.

A síndrome de choque tóxico ou TSS (do inglês Toxic Shock Syndrome) é causada pela infecção de algumas estirpes bacterianas de Staphylococcus aureus (mais comummente) e/ou Streptococcus pyogenes. Especificamente quando expressam a toxina TSST-1, enterotoxina tipo B ou  enterotoxina tipo C. Estando a primeira relacionada com, mas não só, o TSS menstrual e as outras com TSS não menstrual.[1]9edfc-8166894992_9eb009cac6_o

Estas toxinas fazem parte do metabolismo secundário destas bactérias. Isto é, não estão directamente relacionadas com os processos de crescimento, desenvolvimento e reprodução delas mas as bactérias podem produzi-las em reacção ou resposta ao ambiente ou stresses aos quais possam estar sujeitas. A presença destas bactérias por si só não implica a doença nem a produção destas substancias. Para acalmar ânimos, desde já, chamamos a atenção para a incidência media anual na Grã-Bretanha ser de 0.07 numa população de 100,000 [2].

A TSST-1 (Toxic shock syndrome toxin-1) é um superantigénio (classe de antigénio que produz uma activação não especifica das células T à superfície dos linfócitos) leva à libertação de citocina (grupo de moléculas implicadas na emissão de sinais entre as células durante uma resposta imune) e à sobrecarga do sistema imunitário, de Interleucina 1(activa ou suprime o sistema imunitário), Interleucina 2 (regula a actividade dos leucócitos e linfócitos), e Factor de necrose tumoral Alfa (que provoca a apoptose (morte) das células). A infecção bacteriana cresce a uma velocidade exponencial, excreta estas toxinas para o sangue e desta maneira afecta sistémicamente todo o corpo.

667aa-6075999645_1e49e7035f_zAs enterotoxinas são exotoxinas (toxinas excretadas), que são proteínas que atacam o tracto gastro intestinal.

Com isto podemos dizer que não só as mulheres podem contrair esta doença, mas também os homens.

Outras fontes de doença podem ser pós-cirurgia[3], pós parto, pós aborto, queimaduras, lesões dos tecidos moles, faringite ou infecções focais.

Sintomas: os primeiros sintomas incluem: febre súbita, arrepios, mal-estar, erupção cutânea, vómitos, diarreia, hipotensão, desmaio e tonturas. Outros sintomas que podem ocorrer com o decorrer são eritema difuso e descamação. Sinais como anemia, trombocitopenia, enzimas hepáticas elevadas e níveis anormais de coagulação podem ser revelados por avaliação laboratorial. [4]

Tratamento: o tratamento foca-se no alivio dos sintomas, prevenção da produção de mais toxina e controlo da infecção bacteriana. Envolve administração endovenosa de fluidos e tratamento com antibióticos, normalmente penicilina, cefalosporina ou vancomicina (quando S. aureus resistente à meticilina), em conjugação com clidamicina ou linezoid. Em casos mais graves pode ser necessário oxigénio e diálise)

 

202542199_8ba2c9a349_zCaracterização bacteriana: Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes são ambas bactérias esféricas Gram-positivos, e estão frequentemente presentes na pele e mucosas de pessoas saudáveis. A primeira delas, fazendo parte dos micróbios normais que nos colonizam, já a segunda podendo estar presente. Podem causar uma variedade grande de doenças como gastroenterite. Infecções em feridas, endocardite, osteomielite, pneumonia e vários problemas de pele no primeiro caso e faringite, escarlatina, febre reumática, glomerulonefrite, fasciite necrosante, celulite, erisipelas e impetigo no segundo caso. Ambas podem ser responsáveis pelo TSS.

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Factores de risco:

TSS não menstrual: desenvolver infecções depois de cirurgia, feridas na pele e queimaduras, varicela recente, infecção pós parto ou pós aborto.

TSS menstrual: usar o mesmo tampão durante muitas horas, recorrer a contraceptivos de barreira femininos (por exemplo diafragma)

 

Medicina Tradicional Chinesa: esta doença tem as suas causas em calor toxico, estase de sangue e deficiência. Hiperactividade do calor tóxico ou insuficiência de Qi e Yin.

 

Tratamento em MTC: A MTC nesta doença foca-se na prevenção e no fortalecimento do sistema imunitário depois do tratamento hipocrático.

Prevenção:  A melhor forma de lidar com esta doença é mesmo a prevenção. Tratar sempre as feridas e estar atento a possíveis infecções é uma delas.

No caso do TSS menstrual aqui estão alguns conselhos:

Usar tampões com menor grau de absorção adequado ao fluxo. Para obrigar a uma troca mais frequente e para evitar a secura das mucosas vaginais.

Alternar a utilização de tampões com pensos higiénicos e/ou mooncup.

Lavar as mãos antes e depois de colocar o tampão.

Mudar o tampão a cada 4 a 8 horas

Ao dormir, colocar imediatamente antes de deitar, colocar ao acordar e optar por pensos. (evitar usar tampões)

Não usar tampões se já alguma vez contraiu TSS

Formulas: Qingying Tang, Guipi Tang, Qiangen San e Shixiao San

 

 

Referencias:

[1] Journal, Critical Reviews in Microbiology; “Staphylococcal and Streptococcal Pyrogenic Toxins Involved in Toxic Shock Syndrome and Related Illnesses”; Gregory A. Bohach, David J. Fast, Robert D. Nelson & Patrick M. Schlievert

[2] Journal, Centers for Disease Control and Prevention (CDC); “Clinical and molecular epidemiology of staphylococcal toxic shock syndrome in the United Kingdom”; Sharma, H.a,  Smith, D.a,  Turner, C.E.ad,  Game, L.b,  Pichon, B.c,  Hope, R.c,  Hill, R.c,  Kearns, A.c,  Sriskandan, S.a

[3] Annals of Plastic Surgery; Volume 47, Issue 5, 2001, Pages 552-554; “Toxic shock syndrome associated with the use of the vacuum-assisted closure device”; Gwan-Nulla, D.N.,  Casal, R.S.

[4] Journal of Emergency Medicine; “The Evaluation and Management of Toxic Shock Syndrome in the Emergency Department: A Review of the Literature”; Gottlieb, M.,  Long, B.,  Koyfman, A.

Bibliografia:

Jawetz, Melnick & Adelberg “Microbiologia Médica”; Karen C. Carroll, Stephen A. Morse, Timothy Mietzner, Steve Miller; Mc Graw Hill, Lange

“Internal Medicine of Traditional Chinese Medicine”; A Newly Compiled Practional English-Chinese Library of Traditional Chinese Medicine; General Compiler-in-Chief Zuo Yanfu; Publishing House of Shanghai University of Traditional Chinese Medicine

 

Imagens:
Imagens de uso livre, fonte: Flickr.com
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